A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS - Markus Zusak

"Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler"

 

Durante a II Guerra Mundial Liesel Meminger é levada para morar na Rua Himmel, uma grande ironia eu diria já que essa é apenas uma típica rua pobre da Alemanha, com Hans e Rosa Hubermann. Lá entre cabelos cor de limão, Jesse Owens, futebol de rua, surras, reuniões da juventude hitlerista, bombardeios, beijos não dados e judeus no porão ela vai descobrindo o fabuloso mundo das palavras. Como elas alimentam sonhos e ódios, machucam, libertam, prendem... Aprende a manipulá-las e a construir sua própria história. História essa que é narrada pela Morte que a acompanha durante todo o livro entre uma análise de cores e outra, entre uma visita a um campo de concentração e a um front na Rússia.

            A história é levada de tal forma que você vive cada momento junto com os personagens, aprende a amá-los todos da exata forma que são, descobre que todos possuem judeus em seus porões e aprende a ver beleza em ruas pobres e bombas caindo. Aprende como a poesia pode ser encontrada em meio à miséria, à guerra e no dia-a-dia das pessoas que vivem esses conflitos. Em meio às páginas que irá virar você irá se encantar com novas formas de escrita e construção em um livro que você não espera saber o que vai acontecer e sim COMO vai acontecer.

É um livro sobre a guerra, mas não é de guerra. Ele fala essencialmente sobre pessoas e a relação delas umas com as outras e com a realidade daquela época. O livro flui como poesia. Eu o li em dois dias, as páginas voam e você não percebe... Quando dá por si o livro acabou e muito bem acabado. Zusak conseguiu fazer um final perfeito para a história, não deixou faltar nem sobrar. Apenas o gosto agridoce de “quero mais” que todo bom livro deixa ao ser lido.